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CIM.01 – Reflexão sobre Cultura, Conceitos e Dimensões Culturais

Publicado por mktspace em 2006/11/21

foto_mundoigual
“Um Mundo igual”, Rui de Almeida Cardoso@2006

Conhecer e “compreender” / respeitar a cultura de um país / povo é extremamente sensato quando se vai estar em contacto com a sua realidade, quer profissionalmente quer pessoalmente.

Dando como exemplo o filme “O Fiel Jardineiro”, onde é explorada a teoria de que o mundo ocidental usa e abusa de muitos cidadãos; usando mesmo o continente africano como laboratório de testes a fármacos; onde não são respeitados os seus direitos, chocou muitas pessoas.
img_o fiel jardineiro http://www.cineplayers.com/filme.php?id=1183

O que para nós é desumano na perspectiva ocidental, na perspectiva dessas “cobaias” é uma questão de sobrevivência.
Sob outra perspectiva ocidental, muitos admitem que é uma das possíveis maneiras de ajudar esses povos menos desenvolvidos e necessitados a ter um mínimo de qualidade de vida, apesar das consequências nefastas que muitos desses testes por vezes têm.
Apenas não estamos a fazer um jogo limpo, pois quase todo o ocidental conhece as suas realidades, mas eles (as cobaias) não conhecem a nossa.
Será então justo?
Mesmo em Portugal encontramos pessoas com um nível de informação / cultura geral muito baixo, só por isso podemos fazer dessas pessoas as nossas cobaias?
Não, porque no nosso país respeita-se (espero) os direitos humanos, porque nós sabemos que isso existe, mesmo não percebendo o que isso muitas vezes significa.
E as pessoas, as tais nossas cobais, que lutam todos os dias por grãos de cereais para fazer pão,que lutam por um litro de água potável!!! será que se importam ou querem saber o que são os direitos humanos? que também eles têm esse direito?
hummm…Penso que não, alguém consegue pensar de barriga vazia. Para evoluirmos precisamos de primeiro satisfazer as nossas necessidades básicas ou primárias.

Outro exemplo que muitas vezes choca os turistas aquando a visita à nossa bela e horrenda Índia.
A Índia tem várias religiões, tal como vimos no exercício desta cadeira, mas vivem “pacificamente”, porque se respeitam.
Outra característica deste enorme país é que têm uma sociedade por castas que é um “motor” de desigualdade e injustiças (na visão ocidental).
Para a maioria dos indianos, que não conhecem outras realidades é uma forma de vida, e até justa. Infelizmente, na minha visão de ocidental, cada indiano um tem um papel na sociedade e aceita-o como sentença. Estamos a falar do país em que milhões morrem nas ruas e são lançados no mesmo rio que toda a gente toma o seu banho matinal. Quero com isto dizer, que a beleza deste país está na pureza de espírito dos seus habitantes, que têm como máxima a harmonia com o universo.

Quando assistimos nos Media, às notícias sobre guerras, atentados, morte, fome e demais pseudo-misérias do mundo, ficamos (alguns) indignados; mas já alguma vez analizámos que temos a possibilidade de ficar “ausente” desses “problemas”!!
O que nos choca muitas vezes numa reportagem notíciosa é mais o ataque aos nossos ideias do que propriamente o acontecimento ou a agressividade das imagens.
Poucas vezes reflectimos que os implicados nessas histórias estão também a defender os seus próprios ideais.

A sociedade é hipócrita!
Verdade ou não, todos sabemos que muitos dos ditos países “evoluídos” enviam ajuda humanitária, mas não antes de enviarem material bélico e fomentarem conflitos.
É tudo uma questão de Marketing.

Ontem vi no cinema, o filme / documentário “Uma verdade inconveniente” , protagonizado pelo Sr. Al Gore e que tem com tema uma questão da ordem do dia – o aquecimento global.
img_verdadeAlGore http://www.uciportugal.pt/cartelera/cartelera_ficha.aspx?id=0109

Fiquei surpreendido (porque só conhecia a sua faceta de político) e admirei imenso o que o Sr. Algo tenta desesperadamente fazer. Alertar o mundo dos perigos do aquecimento e uso e abuso do nosso meio ambiente. Se estivesse com o Sr. pessoalmente diria algo do género:

“Migo, tens toda a razão. Aliás é um tema que debato e tenho discussões em casa desde os meus 13 anos, pois os meus pais não entendiam isso, do ambiente, tanta água que temos!! tanto verdinho e tal….
Agora, tenho 27 anos e depois de muita discussão; há actuamente uma forte investida por parte dos Media nesse tema. AGORA, os meus pais já me dizem, “há anos que nos dizes isso”!!!!
Eu fico com uma pilha de nervos, pois é preciso dar na TV para verem que o puto afinal até sabia do que falava.
Está a fazer um bom trabalha como humanista e até tem conseguido aos poucos captar a atenção (tão dispersa) do povo americano, parabéns por isso.
Mas, os meus pais têm a 4ª classe, vivem no meio rural e não precisaram do seu documentário para entenderem o problema que temos entre mãos.
Sendo os USA dos países / culturas mais evoluídas, porquê tantos documentários tipo este, ou o Bowling for Columbine e outros ainda mais “de ensino primário”?
OK, eu dou-lhe a resposta, egocentrismo cultural e narcisismo.”
Este tipo de documentário é bastante dirigido para a sociedades que se regem pela “mentalidade” americana e que precisam deste tipo de estímulo como alerta.
Gostei imenso do filme pelo seu cariz científico pois são apresentados dados estatísticos fantásticos, assim como um historial da evolução populacional mundial e as suas consequências.
No global é bastante positivo e vale a pena ver.

Relativamente ao tema deste artigo,tento cada vez mais aplicar a máxima; “não tenho de compreender, apenas respeitar”.

Um fotojornalista tem por obrigação relatar/registar um assunto, mas nunca interferir.
Respect this,
RAC

06-10-14

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